
A Cigana Dália acredita que até hoje seu povo não a entendeu, mas deixa claro que nunca escondeu ou negou suas raízes, longe disso, orgulhava-se dos costumes ciganos e nutria sua alma com o aprendizado que teve entre sua gente. Após muitos anos de situações difíceis e embaraçosas, até mesmo sentindo a dor da solidão, Dália conquistou seu lugar ao sol; tornou-se uma pintora como queria, casou e constituiu família.
Fina e educada, Dália demonstra claramente seu gosto pelo requinte, aprecia vestimentas de luxo, frutas secas e um bom vinho. Tintas e pinceis não fazem mais parte de seus apegos atuais, evidencia preferência por perfume francês, velas aromáticas em castiçais dourados, lenços de renda e xales bordados com pedrarias. Também fica feliz ao receber em oferenda licor de menta, panetone, rosas vermelhas e maquiagem. Trabalha para auxiliar quem por ela chama na prosperidade, isto devido ter tido uma vida abastada depois de tantos sacrifícios.
A vibração desta Cigana é forte e ao mesmo tempo chega a ser sutil. Por mais envolvente que seja, não demonstra a sensualidade comum inerente nas mulheres ciganas, e sim uma grande disposição em mostra-se interiormente, dando o recado de alguém que soube lutar para conquistar seu espaço. No instante que se mostra assim, Dália parece esquecer sua predileção pelo refinamento.
Esta retratação da Cigana Dália feita por Maria do Carmo da Hora já está comigo há algum tempo, mas não conseguia absorver nada destes enigmáticos olhos azuis. Hoje sei que tive que esperar o momento oportuno para saber um pouco que seja desta bela Cigana que teve uma vida tão peculiar.
- Valéria Fernandes
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